Dia do Homem: Clínica-Escola da Unex amplia acesso ao cuidado com a saúde mental masculina

Professor de Psicologia explica por que muitos homens ainda têm dificuldade de reconhecer o sofrimento emocional e buscar apoio profissional

Dia do Homem: Clínica-Escola da Unex amplia acesso ao cuidado com a saúde mental masculina

Nesta quarta-feira, 15 de julho, Dia do Homem, a saúde mental masculina ganha espaço no debate diante de um cenário em que muitos homens ainda enfrentam dificuldades para reconhecer o sofrimento emocional e buscar ajuda psicológica. Como forma de ampliar o acesso ao cuidado, a Unex Itabuna oferece atendimento psicológico gratuito à comunidade por meio da Clínica-Escola de Psicologia, vinculada ao Núcleo de Atendimento Integrado à Saúde (NAIS). 

Na Clínica-Escola de Psicologia da Unex Itabuna, o atendimento é gratuito e aberto à comunidade. O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, mediante agendamento pelo WhatsApp (73) 3214-2435. A Clínica-Escola está localizada na Praça José Bastos, nº 55, bairro Osvaldo Cruz, em Itabuna.

Por que os homens demoram a buscar ajuda? 

Segundo o psicólogo e professor da instituição, José Neto, essa resistência está menos relacionada à forma como os homens sentem e mais aos padrões de masculinidade construídos pela sociedade, que muitas vezes associam tristeza, medo e vulnerabilidade à ideia de fraqueza.

De acordo com o professor, o sofrimento emocional nem sempre é verbalizado. Em vez de falar sobre o que sentem, alguns homens acabam manifestando o sofrimento por meio de irritabilidade, conflitos interpessoais, isolamento e outras mudanças de comportamento. 

“Em muitos contextos, as mulheres encontram maior incentivo para falar sobre sentimentos e buscar apoio. Já os homens costumam ser estimulados a valorizar a autossuficiência e o controle emocional, o que pode fazer com que demorem mais para reconhecer a necessidade de ajuda profissional”, explica.

Sinais nem sempre são percebidos

O sofrimento psicológico nem sempre se manifesta por meio da tristeza. Irritabilidade constante, explosões de raiva, isolamento, excesso de trabalho, consumo abusivo de álcool e outras substâncias, além da necessidade de demonstrar autossuficiência o tempo todo ou de adotar comportamentos de risco, podem indicar que algo não vai bem.

O professor destaca ainda que o apoio da família e dos amigos pode ser decisivo para que o homem procure ajuda. Frases como “homem tem que ser forte”, “isso é falta do que fazer” ou “você precisa dar conta sozinho” tendem a minimizar o sofrimento e reforçar estigmas. Em vez disso, ouvir sem julgamentos, validar os sentimentos e incentivar a busca por acompanhamento psicológico são atitudes que favorecem o cuidado com a saúde mental.

Redes sociais e seus efeitos

José Neto também chama a atenção para a influência das redes sociais na construção das masculinidades. Segundo ele, parte dos conteúdos disseminados nas plataformas, especialmente aqueles ligados ao universo redpill (movimento que defende visões tradicionais e, em muitos casos, misóginas sobre as relações de gênero) , reforça a ideia de que o homem não deve demonstrar vulnerabilidade e precisa exercer controle sobre as relações. 

Esse tipo de discurso, afirma, pode aumentar a pressão emocional e dificultar a busca por ajuda. Por outro lado, o psicólogo ressalta que as redes também abrem espaço para discussões sobre saúde mental, paternidade, afetividade e diferentes formas de viver a masculinidade. 

“Os efeitos dependem dos tipos de discurso que circulam. Conteúdos que ampliam a possibilidade de os homens compreenderem seus medos, limites, vínculos e necessidades podem contribuir para o bem-estar. Já aqueles que sustentam masculinidades baseadas na dominação, na homotransfobia, na misoginia, no machismo e na negação da vulnerabilidade tendem a aumentar a pressão, o isolamento e a dificuldade de construir relações mais igualitárias”, conclui.

Serviço

O quê: Atendimento psicológico gratuito à comunidade.

Onde: Clínica-Escola de Psicologia da Unex Itabuna (NAIS), na Praça José Bastos, nº 55, bairro Osvaldo Cruz, em Itabuna.

Quando: De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

Como: O agendamento é realizado pelo WhatsApp (73) 3214-2435

 

Pular para o conteúdo