Novembro Azul: saúde masculina combina com prevenção

Especialistas da UniFTC/UNEX orientam sobre avaliação médica, cuidados após a cirurgia e saúde mental

Novembro Azul: saúde masculina combina com prevenção

A ausência de sintomas não garante que a próstata esteja saudável. O alerta é do urologista José de Bessa, professor da UNEXMED, em Feira de Santana, que destaca que o câncer de próstata pode evoluir silenciosamente nas fases iniciais. Neste Novembro Azul, especialistas da UniFTC/UNEX orientam sobre avaliação médica individualizada e cuidados físicos e emocionais diante do diagnóstico e do tratamento.

Para Bessa, “o principal erro é acreditar que a ausência de sintomas significa que a próstata está saudável e que só é necessário procurar um urologista quando surge algum problema. Muitas doenças prostáticas, inclusive o câncer de próstata em suas fases iniciais, podem evoluir silenciosamente. Outro equívoco é pensar que toda dificuldade para urinar representa câncer, quando, na maioria das vezes, esses sintomas estão relacionados a condições benignas”, explica.

O médico também destaca sinais que merecem atenção, como presença de sangue na urina, dificuldade progressiva para urinar, jato urinário muito fraco, dor persistente na região pélvica e infecções urinárias recorrentes. “A incapacidade súbita de urinar, a presença de febre associada à dor lombar ou a sintomas urinários, assim como a dor testicular intensa e repentina exigem atendimento médico imediato”, orienta.

Bessa enfatiza que essas manifestações não significam necessariamente câncer de próstata, mas podem indicar doenças que precisam de investigação e tratamento. “Por isso, a avaliação médica individualizada é fundamental”, afirma.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), excluindo os tumores de pele não melanoma, os cinco tipos de câncer mais incidentes entre os homens são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral, respectivamente. No Brasil, a estimativa é de 77.920 novos casos de câncer de próstata em 2026.

O diagnóstico precoce pode melhorar os resultados do tratamento, mas não impede o surgimento da doença. O INCA e o Ministério da Saúde não recomendam o rastreamento populacional do câncer de próstata. Para homens sem sintomas que procuram exames de rastreamento, como o PSA e o toque retal, a orientação é discutir os possíveis benefícios e riscos com o médico, para uma decisão compartilhada.

Um levantamento do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) apontou que, em 2024, foram realizadas 37.917 cirurgias de câncer de próstata pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além da investigação e do tratamento da doença, a atenção à saúde masculina envolve hábitos saudáveis, acompanhamento médico e cuidados com a saúde mental.

Segundo a enfermeira e coordenadora do curso de Enfermagem da UNEX Feira de Santana, Hayana Leal, o período pós-operatório exige cuidados para uma recuperação segura, prevenção de complicações, reabilitação urinária e sexual e acompanhamento com PSA.

Entre as orientações estão os cuidados com a sonda vesical, cuja permanência costuma ser de cerca de sete a 14 dias, variando conforme a técnica cirúrgica e a evolução do paciente. Hayana recomenda observar o fluxo de urina, o volume drenado e a presença de sangue, coágulos, vazamentos ou interrupção da drenagem.

A enfermeira também ressalta a importância de manter a higiene e os curativos da ferida operatória conforme a orientação da equipe, observando vermelhidão, calor, inchaço, secreção ou abertura dos pontos. Entre as recomendações estão “evitar esforço físico intenso, corrida, esportes de contato e levantamento de peso, em geral, por cerca de 4 semanas”, explica.

Outro cuidado é “fazer o acompanhamento oncológico, incluindo a realização periódica do antígeno prostático específico (PSA), para avaliar a resposta ao tratamento e identificar possíveis sinais de recorrência da doença”, acrescenta.

A saúde mental também merece atenção, especialmente diante do diagnóstico e do tratamento do câncer. A psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da UniFTC Salvador, Jackeline Kruschewsky, explica como esse processo pode afetar emocionalmente o paciente.

“O diagnóstico desorganiza o emocional ao confrontar o homem com a finitude, a ansiedade e a incerteza. Por atingir uma área associada à sexualidade e virilidade (devido a riscos como disfunção e incontinência), afeta diretamente a autoestima masculina. O estigma de ‘ser forte’ frequentemente leva o paciente ao isolamento e ao silenciamento da própria dor”, comenta.

Para atravessar esse período, a psicóloga orienta acolher o medo e a tristeza sem a obrigação de manter-se invulnerável, buscar informações seguras com a equipe médica para reduzir a ansiedade e fazer acompanhamento psicológico para ressignificar a relação com o corpo e com a masculinidade. Ela também recomenda fortalecer a rede de apoio, permitindo o cuidado e a companhia de pessoas próximas durante o processo, e viver um dia de cada vez, mantendo pequenos rituais de autocuidado e o foco no presente.

As orientações reforçam a importância de manter os cuidados com a saúde ao longo do ano, com avaliação médica individualizada e atenção às necessidades físicas e emocionais de cada paciente.

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